segunda-feira, maio 02, 2005

Puxão de Orelha

Depois da bronca do Juan, lá vamos nós.

Depois da tempestade

Confesso que o tsunami me abalou bastante. Não pelas pessoas que sairam da empresa, mas pela maneira que aconteceu. Isso me fez pensar profundamente em ética. Olho para as duas japinhas dormindo, embrulhadinhas nos futons, e me pergunto se não estou criando duas bobonas como a mãe, por achar que isso importa.
Sou uma idealista. Acredito no melhor das pessoas, e acredito num comportamento ético no trabalho. Nas relações entre os colegas de trabalho, ainda que não sejam os nossos melhores amigos, o objetivo final ainda é o mesmo para todos, e todos trabalhamos para realizá-lo.
Hoje, depois do caos do tsunami, levei mais uma rasteira. Olha, eu juro que tento relevar, mas está dificil. Por pura ingenuidade, eu pensava que, depois da virada, as pessoas tenderiam a se ajudar. Mas solidariedade não é a palavra de ordem. É "salve-se quem puder", e se possível, pisando no outro.
Eu não quero que minhas filhas sejam pisoteadas, mas me recuso a ensinar a pisar.
Estou com muita raiva, e não sou a pessoa mais calma do mundo. Não vou xingar, nem vou bater boca com ninguém. Só espero que isso não me faça mal.

Credo, Juan! Acho que era melhor ter ficado quietinha....

Comments:
Não, minha bela e amada Ju...
Embora o silêncio, temperado com a serenidade e um coração limpo sejam sempre uma boa opção, ficar calada o tempo todo faz mal sim, e muito mal.
Soltar o verbo, meter o pé na jaca, virar o penico, chutar o pau da barraca e mandar alguém à puta que pariu de vez em quando é muuuuuuuuito bom.
Você não é ingênua: é um ser humano limpo, lindo e que tem o fundamental, que é a "boa intenção" ou, como dizem os budistas, a intenção correta. Só que estamos neste mundo, que não é bom nem ruim, apenas é... e nós temos de aprender a conviver com isso. Calma, serenidade, observe, analise com os três olhos: o da carne, o da mente e o da comtemplação... deixe fermentar e assentar e a vida segue seu curso.

Quanto às japinhas, dê elas a formação que VOCÊ considera a melhor. Elas estão aprendendo junto com o mundo, nem tudo o que os pequeninos aprendem dependeu de nós. Eles vão viver (n)o seu (deles) tempo e creia, não serão nem um pouco ingênuas ou inofensivas (a minha está muito longe disso, risos). Mas crie seres humanos... o resto elas fazem.

Mais uma coisa: obrigado pelo desabafo... foi bom ter permitido essa "válvula de escape".

Como sempre, carinho infindo, beijos nos olhos úmidos e fumegantes... Ju, Ju...

Juan
 
coMtemplação é duro, risos...

Que o vernáculo me perdoe, kkkkkk!
 
Acho que você não tem mesmo que ensinar a pisar, mas deve ensiná-las muito bem a se defender das pisadas alheias. É o que eu procuro fazer com a minha, pelo menos. Mas o Juan tem razão, no fim das contas elas são é do mundo mesmo, a gente só dá a direção.

Beijoca
 
Ju,

Graças a Deus e a todos os anjinhos do céu, o que eu vou contar agora é passado, passou e não me faz mais mal. Mas veja só:

E quando a gente trabalha onze horas por dia durante três anos e meio, sem férias, trabalha até o dia do nosso parto (meu filho nasceu às 18h00 e eu saí da agência às 12h30, diretamente para a maternidade), fica só um mês e meio fora porque a empresa PRECISA da gente, passa seis meses tirando leite do peito no banheiro da agência para o filho mamar em casa e aplacar a nossa consciência, e um belo dia, sem mais, alguém vira pra gente e fala: "ó, valeu, hein? Tchau?!"

Ah, e todos aqueles amigos do peito, irmãos camaradas que você achava que não podiam viver sem você NEM TE LIGAM pra saber se você já se matou ou ainda não?

Éééé, amiga, como dizia (amargamente) o meu pai, "o cemitério está cheio de insubstituíveis".

JU...
 
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